HASHTAGS BANIDAS DO INSTAGRAM E SEU IMPACTO NAS EMPRESAS
- Thayana Macêdo

- 15 de set. de 2020
- 6 min de leitura
por Alcione Oliveira*

No mundo das redes sociais as hashtags são muito usadas não só por anônimos, blogueiras, youtubers, influenciadores digitais, artistas, mas também por empresas que usam o recurso para alcançar maior visibilidade e engajamento para a sua marca ou produto, facilitando e intensificando o contato entre a empresa e o público. Mas o que é hashtag?
É “um recurso de agrupamento que identifica grupos ou conteúdos específicos, através do símbolo ‘#’ antes de uma palavra ou expressão, com o objetivo de facilitar a pesquisa pelo assunto com o qual esse símbolo se relaciona.” [1]
Portanto, é um marcador, uma forma de organizar e identificar o conteúdo sobre um determinado assunto na web. O seu uso surgiu em 23 de agosto de 2007 no Twitter e foi ideia de Christopher Messina, um ator e diretor de cinema americano. Elas são excelentes para ficar por dentro dos temas que estão em evidência no momento, é ma verdadeira carta na manga para quem tem conteúdo e precisa de público. A hashtag certa pode ser a causa de uma "viralização" na web.
As hashtags têm infinitas possibilidades de uso para as empresas. Campanhas, principalmente quando forem de causa social, também podem conseguir muito engajamento. Servem inclusive para saber como está a concorrência, pois pelas buscas pode-se verificar no que um negócio está acertando ou errando e não cometer os mesmos erros. Clientes insatisfeitos com o produto ou conteúdo podem utilizar hashtags não muito amigáveis, relacionando-as com a tag da marca e a empresa tendo acesso a esses conteúdos terá a oportunidade de prestar o devido suporte e interagir com essas pessoas, diminuindo o retorno negativo. E com o surgimento de cada vez mais conteúdo impróprio na internet e bots utilizando indevidamente uma aplicação, as redes sociais procuraram utilizar estratégias para filtrar e entregar conteúdo útil aos seus utilizadores. O Instagram passou a visar novas formas de melhorar a experiência e a segurança dos seguidores, e uma dessas estratégias está diretamente relacionada com a uso de hashtags, criando uma lista de hashtags banidas.
Se repetidamente uma hashtag é empregada de uma forma considerada imprópria ela é banida pelo Instagram, ou seja, se for considerada como uma publicação de conteúdos ofensivos ou com excesso de interação realizada por bots, o conteúdo utilizado na hashtag é tido como algo que não está de acordo com as Normas da Comunidade do Instagram, e essas hashtags tornam-se efetivamente proibidas. E ao utilizar hashtags banidas o usuário poderá ter sua conta considerada como spam e entrar no tão temido shadowban.
Shadowban é a “proibição de sombra, também chamada proibição furtiva, proibição de fantasmas ou fantasmas de comentários, é o ato de bloquear ou bloquear parcialmente um usuário ou seu conteúdo de uma comunidade on-line, para que não seja imediatamente aparente para o usuário que ele foi banido”. [2] Quer dizer "banir às sombras" ou “às escondidas”, em tradução livre.
A expressão “entrar no shadowban” significa uma perda de alcance massivo da conta do usuário. O Instagram não só deixa de mostrar o conteúdo nas pesquisas por hashtag como também passa a limitar o número de pessoas a quem mostra de forma natural. Uma empresa não informada pode cair no erro de utilizar hashtags proibidas e ter a entrega de seu conteúdo prejudicada aos seus seguidores, minando seu alcance e engajamento.
Um exemplo clássico é a hashtag #sextou, muito usada por brasileiros para comemorar a chegada da sexta-feira. Ela passou a ser usada também por estrangeiros com um sentido completamente diferente, pois em inglês essa mesma hashtag é uma abreviação da expressão "sex to you", então muitas postagens com teor sexual foram associadas a essa tag.
Para saber se uma hashtag é proibida, basta ir na lupa do Instagram e pesquisar em “Tags”: se ela não aparecer é porque está banida. Pode acontecer da hashtag aparecer nas pesquisas, mas ao selecioná-la o separador “Recentes” vai mostrar uma mensagem de que a hashtag não está em conformidade as diretrizes da comunidade do Instagram.
Ao perceber que o alcance da conta diminuiu, ganhou menos seguidores do que o normal ou a postagem não aparecem nos resultados das hashtags, o usuário pode ter sido shadowbanned. O shadowban oculta a conta de todas as pessoas que ainda não a seguem. Se as pessoas que ainda não seguem não conseguem encontrar o conteúdo, aquela conta não irá crescer.
Fazer uso de hashtags banidas pelo Instagram não é a única forma de entrar no shadowban, mas é uma das formas mais fáceis de acontecer. Nas redes sociais existem regras a serem seguidas e no Instagram não é diferente. Existem atitudes que devem ser evitadas, tais como:
- Publicar e seguir contas muito rápido: existe limite diário e por hora de conteúdos que podem ser seguidas e/ou comentadas (estima-se que não se deva ultrapassar os 150 likes, 60 comentários e 60 follow/ unfollows por hora);
- Abusar na utilização de hashtags: usar a mesma hashtag repetidas vezes;
- Utilizar hashtag banidas;
- Utilizar software que viola os termos e serviços do Instagram: programas que compram seguidores através de likes e aplicativos de auto-likes;
- Ser muitas vezes reportado: quando os seguidores denunciam várias vezes a conta ou conteúdos.
Há quem defenda que o Instagram não pratica esse tipo de banimento porque quer prejudicar os perfis corporativos que usam o aplicativo para fazer o seu marketing, uma vez que eles próprios são uma empresa e visam o lucro. Para esses, o que a plataforma almeja é manter sua comunidade protegida de práticas invasivas e buscar garantir uma experiência agradável para os usuários, o que seria uma teoria aceitável, pois justificaria a plataforma ser um pouco mais rígida com as regras.
Segundo Rafael Venâncio [3], “o objectivo desta ferramenta não é castigar o user casual mas sim os spammers e flammers, contas que utilizem bots e automações, utilizadores/páginas que utilizam hashtags não relevantes para a publicação e, a não esquecer, contas que criam conteúdos extremistas e de ódio.”
Defendem também que seria uma maneira de incentivar as marcas a usarem o Instagram Ads como uma opção às falhas do tráfego orgânico no aplicativo.
E como saber se o usuário foi shadownbanned? Basta que ele acesse a plataforma com uma conta diferente, que não o siga, e pesquisar uma das hashtags que usou recentemente. Se a conta não aparecer nos resultados provavelmente foi shadowbanned.
Diante de tudo isso, eis algumas soluções para o shadowban:
- Não usar programas de automação: em “Configurações”, seleciona a opção “Segurança” e depois “Aplicativos e sites”. Remova todos aqueles que não foram autorizados ou pareçam suspeitos, em especial os bots e ferramentas de automação.
- Não use muitas hashtags em uma postagem: no máximo 20 hashtags.
- Remover todas as hashtags banidas: rever as publicações e identificar as hashtags banidas, apagando-as manualmente. É trabalhoso, mas necessário.
- Voltar a ter conta pessoal: converter uma página comercial em página pessoal no Instagram reverte o processo. Vai perder a ferramenta analítica, mas essa não servirá de nada se estiver shadowbanned.
- Fazer uma pausa durante 48 horas: respeitando o limite diário e horário para a utilização das ferramentas. Passadas as 48h, seguir as regras do Instagram à risca.
- Relatar o shadowban para o Instagram: nas “Configurações” do aplicativo use a opção “Ajuda” e depois “Relatar um Problema”. Selecione “Algo não está funcionando” e descreva claramente o problema.
As empresas utilizam o Instagram com a finalidade de interagir com seus atuais e potenciais clientes, investe na ferramenta para conseguir mais seguidores que se interessem e queiram acompanhar seus conteúdos, adquirir seus produtos. Receber um shadowban mina a possibilidade de conseguir esse tipo de resultado usando apenas a estratégia de tráfego orgânico. Quem não é seguidor não consegue ver as postagens, tampouco irá interagir porque o banimento afeta o alcance e o engajamento do público em geral com a conta do usuário.
O problema vai muito além de não alcançar novos seguidores, pois a conta passa a perder engajamento com os seguidores atuais, uma vez que a tendência é diminuir progressivamente as visualizações e as interações com as publicações.
Em suma, a empresa deve focar em produzir um conteúdo de qualidade e no envolvimento orgânico com os seus seguidores. O algoritmo Instagram é bastante ativo e sabe exatamente como identificar os bons e os maus usuários, utilizando bots e automação. Não é vantagem tentar enganar o sistema.
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[1] Dicionário online de Português. Disponível em <https://www.dicio.com.br/hashtag/>. Acesso em: 01 set 2020. [2] Wikipedia. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Shadow_banning>. Acesso em: 01 set 2020.
[3] Rafael Venâncio em 12 de julho de 2019, da Van Agência de Marketing Digital, Lisboa, Portugal. Disponível em <https://van.pt/shadowban-no-instagram-o-martelo-da-justica/>. Acesso em: 01 set 2020.
*Consultora da CLAT Compliance/Portugal. Administradora há 20 anos, graduada pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN. Advogada militante há 8 anos, graduada pela Universidade Potiguar – UnP. Ex-Conciliadora da Justiça Federal/RN. Ex-Membro da Comissão de Ciência, Tecnologia da Informação e Estudos Jurídicos da OAB/RN Subseção de Assú/RN. Membro Honorífico da Comissão de Apoio à Advocacia Iniciante da OAB/RN Subseção de Assú/RN. Membro da Associação Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados - ANPPD®. Membro da Associação dos Profissionais de Proteção e Segurança de Dados - APDPO Portugal. Experiência como Administradora do Centro de Atenção Psicossocial na Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Assú/RN, como Coordenadora do Departamento de Tesouraria e Controle Financeiro na Secretaria Municipal de Administração e Finanças da Prefeitura Municipal do Assú/RN e como instrutora do SENAC Assú/RN e Microlins Cursos Profissionalizantes Assú/RN.



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